Entenda a cirurgia de tumores cerebrais: segurança, técnica e recuperação

A cirurgia de tumores cerebrais é um dos procedimentos mais delicados da medicina moderna — e também um dos que mais evoluíram nas últimas décadas. Com o avanço da tecnologia e das técnicas minimamente invasivas, o tratamento cirúrgico tornou-se cada vez mais preciso, seguro e eficaz.

Entenda como a cirurgia é realizada, quais são os cuidados necessários e por que o acompanhamento com um especialista experiente faz toda a diferença para o sucesso do tratamento.

O que é a cirurgia de tumores cerebrais?

A cirurgia de tumores cerebrais tem como objetivo remover, total ou parcialmente, uma massa anormal de células que cresce dentro do cérebro. Essa retirada pode aliviar sintomas, reduzir o risco de complicações neurológicas e, em muitos casos, representar a cura.

Nem todos os tumores exigem cirurgia imediata, mas quando indicada, o planejamento cirúrgico é detalhado e individualizado. São considerados fatores como tipo do tumor (benigno ou maligno), tamanho, localização e condições clínicas do paciente.

Tipos de tumores cerebrais e quando a cirurgia é indicada

Os tumores cerebrais podem se originar no próprio tecido do cérebro (chamados tumores primários) ou surgir como consequência de um câncer em outro órgão que se espalhou para o sistema nervoso central (as metástases cerebrais).

Cada tipo de tumor apresenta comportamento, sintomas e estratégias de tratamento distintos — e compreender essas diferenças é essencial para definir a melhor abordagem cirúrgica.

Meningioma

São os tumores cerebrais benignos mais comuns. Originam-se das meninges, as membranas que revestem o cérebro, e geralmente crescem de forma lenta.

Por isso, muitos meningiomas são descobertos em exames de rotina. Quando pequenos e assintomáticos, podem ser apenas observados com exames periódicos.

A cirurgia é indicada quando há sintomas como dor de cabeça, convulsões, alterações de visão ou compressão de estruturas cerebrais. A remoção costuma ser curativa, com baixo risco de recidiva quando o tumor é completamente retirado.

Glioma

Os gliomas se formam a partir das células da glia, responsáveis por dar suporte e nutrição aos neurônios. É um grupo amplo que inclui astrocitomas, oligodendrogliomas e glioblastomas, entre outros.

O comportamento varia: alguns crescem lentamente e permitem abordagem mais conservadora, enquanto outros, como o [glioblastoma](https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/glioblastoma/symptoms-causes/syc-20569077#:~:text=Signs and symptoms of glioblastoma,hasn’t had seizures before.), são mais agressivos e exigem tratamento combinado com radioterapia e quimioterapia.

A cirurgia tem papel central tanto para reduzir o volume tumoral quanto para obter material para biópsia, o que orienta o tratamento complementar.

Nesses casos, o planejamento cirúrgico com neuronavegação e monitorização neurofisiológica é fundamental para remover o máximo possível do tumor sem comprometer áreas vitais do cérebro.

Adenoma hipofisário

Localizados na glândula hipófise, estrutura responsável pela regulação de diversos hormônios, esses tumores podem causar distúrbios hormonais e alterações visuais, já que ficam próximos ao nervo óptico.

Entre os sintomas mais comuns estão fadiga, ganho de peso, irregularidades menstruais, infertilidade, produção excessiva de hormônios e visão turva.

A cirurgia costuma ser feita por via endoscópica transnasal, um procedimento minimamente invasivo, realizado pelo nariz, que permite acessar a hipófise sem abrir o crânio.

O tratamento cirúrgico costuma ser altamente eficaz, com rápida recuperação e baixo risco de complicações.

O Dr. Halisson de Andrade é neurocirurgião e realiza a cirurgia para retirada de tumores da hipófise, com acesso transnasal (pelo nariz).

Metástase cerebral

As metástases cerebrais são tumores secundários, provenientes de outros cânceres — como os de pulmão, mama, rim ou pele (melanoma).

A presença dessas lesões pode causar crises convulsivas, dor de cabeça persistente, fraqueza em um lado do corpo ou alterações cognitivas.

A indicação cirúrgica depende do número, tamanho e localização das metástases, além do controle da doença primária.

Em casos selecionados, a retirada cirúrgica tem o objetivo de proporcionar alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida, sendo frequentemente associada a outros tratamentos.

A indicação cirúrgica ocorre quando o tumor provoca sintomas neurológicos, compressão de estruturas importantes e crescimento progressivo.

Como é feita a cirurgia de tumores cerebrais

Atualmente, as cirurgias cerebrais são realizadas com auxílio de microscópios de alta definição, neuronavegação, ultrassom intraoperatório e monitorização neurofisiológica.

Esses recursos permitem localizar o tumor com precisão milimétrica e preservar áreas vitais do cérebro, como as responsáveis pela fala, pelo movimento e pela memória.

O neurocirurgião pode adotar diferentes vias de acesso, de acordo com o caso:

  • Craniotomia tradicional, quando é feita uma pequena abertura no crânio para acessar o tumor;
  • Cirurgia endoscópica, indicada para tumores de base de crânio e hipófise, realizada por via nasal;
  • Cirurgia desperta, em casos específicos, para monitorar a função cerebral em tempo real.

Essas abordagens tornaram o procedimento muito mais seguro do que se imagina, com tempo de internação reduzido e recuperação mais rápida.

Pós-operatório e recuperação

Após a neurocirurgia oncológica, o paciente é acompanhado em unidade de terapia intensiva por um período curto, e a reabilitação começa logo nos primeiros dias.

A recuperação varia conforme o tipo e localização do tumor, mas a maioria dos pacientes retoma suas atividades habituais em poucas semanas.

O acompanhamento médico e o seguimento com fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional podem ser indicados para otimizar a recuperação neurológica.

A importância do neurocirurgião especializado

A cirurgia de tumores cerebrais exige precisão técnica, experiência e planejamento multidisciplinar. O neurocirurgião deve estar preparado para manejar casos complexos, lidar com estruturas delicadas e tomar decisões intraoperatórias que preservem ao máximo as funções neurológicas do paciente.

Com o avanço das técnicas e equipamentos, a cirurgia de tumores cerebrais tornou-se um procedimento cada vez mais seguro e eficaz.

Buscar um especialista qualificado, com experiência em neurocirurgia oncológica, é o primeiro passo para garantir o melhor resultado possível e qualidade de vida após o tratamento.

Se você ou um familiar recebeu o diagnóstico de um tumor cerebral, entre em contato, agende uma avaliação e saiba quais são as melhores opções de tratamento para o seu caso.

FAQs - Perguntas frequentes

Não. Os riscos existem, mas hoje são muito menores devido ao uso de tecnologia avançada e técnicas minimamente invasivas. Quando realizada por um neurocirurgião experiente, a cirurgia é planejada com segurança e foco na preservação das funções cerebrais.

Depende do tipo e da localização do tumor. Quando estão localizados de forma superficial, a remoção completa é viável. Já tumores infiltrativos exigem retirada parcial associada a outros tratamentos, como radioterapia e quimioterapia.

A decisão é individualizada. O neurocirurgião avalia exames de imagem, sintomas e o estado clínico do paciente. Em muitos casos, a cirurgia é o passo mais importante para diagnóstico preciso e controle da doença.